17 de ago de 2011

AS NECESSIDADES DE SOLIDARIEDADE COM O POVO COLOMBIANO


Novamente se escuta falar sobre a Colômbia, a imprensa brasileira de forma mais seguida registra noticias desse país, transparecendo que a situação política e social esta cada vez melhor. Já não falam do Plano Colômbia com a saída de Álvaro Uribe Vélez da presidência da república. É preciso dar passos à construção de participação democrática mais ampla. O novo governo, em cabeça de Juan Manuel Santos, parece mais tolerante aos diferentes setores políticos do país e na superação dos problemas colombianos. Dizem que a violência desenvolvida entre os colombianos são causadas pelo narcotráfico. As situações que ainda existem, tais como a das pessoas refugiadas, os confrontos militares em alguns lugares do território nacional, as ameaças e assassinatos, são anunciados como se fossem realizados pelas guerrilhas, que supostamente teriam, portanto, uma relação direta com o tráfico de drogas. Aparentemente o novo governo está se esforçando por mudar esta situação e criar os mecanismos necessários dentro da democracia para sua superação.
Mas em verdade é isso o que está acontecendo? Tem melhorado a situação da Colômbia? As situações de violência que vive a Colômbia são causadas pelo narcotráfico e as guerrilhas são supostamente relacionadas com este? Então por que falar das necessidades de solidariedade entre os povos? Por que haveria necessidade de um espaço social e político no Brasil que dê visibilidade à realidade colombiana e possa gerar solidariedade do povo brasileiro aos movimentos da sociedade civil e organizações políticas democráticas colombianas?
O governo colombiano violando de forma sistemática e permanente os direitos humanos exterminou o partido político de esquerda União Patriótica – UP, os mortos superam os 5 mil, somente em suas lideranças[1]. No mundo, 60% dos sindicalistas assassinados são da Colômbia, foram assassinados mais de 2.778 e foram cometidos mais de 11 mil atos de violência[2]. Aumentou a repressão ao movimento estudantil, principalmente nas universidades[3]. No governo de Uribe foram desaparecidas mais de 34.467 pessoas foram assassinadas mais de 173.183, segundo os dados tomados pela Fiscalia (Promotoria) Nacional de junho de 2005 até 31 de dezembro de 2010[4].
A violação sexual tem aumentado dramaticamente, do ano de 2001 até 2009 489.687 mulheres foram vítimas da violência sexual, numa média de seis mulheres cada hora[5].  Dessas violações, mais de 81% são cometidas pelo exército e seus mercenários paramilitares como mecanismos de terror, ficando estes casos na impunidade.
O número de pessoas camponesas com status de refugiadas internas pela violência passa dos 5 milhões sendo o país com mais refugiados internos[6] no mundo, dos quais um 11% são afros-descendentes e indígenas, e do  total pelo menos 48% são lares com chefia feminina[7], como também mais de 56% das pessoas refugiadas são mulheres e crianças, somando mais de 70%[8]. A distribuição da terra mostra segundo dados do mesmo governo que o 78,3% dos proprietários de terra têm menos de 6% da área enquanto 0,15% é dono de mais 55% das terras[9].
Mas o governo colombiano de Juan Manuel Santos e a direita colombiana falam de pós-conflito. Não reconhecem o caráter político das guerrilhas para não necessitar negociar a paz com elas, considera que as guerrilhas são “narco-terroristas”.
Dessa mesma forma a direita diz que a esquerda na Colômbia não tem expressão e só se resume ao “terrorismo” das guerrilhas. A esquerda colombiana entende que superando as injustiças históricas que vive poderá haver paz no país e se construir uma verdadeira democracia. O governo colombiano e a direita tentam isolar aos setores de esquerda, movimentos sociais e de direitos humanos e mostrá-los como expressões sem posturas políticas claras, alinhadas às organizações guerrilheiras.

Na solidariedade de uma proposta como Agenda Colômbia você pode ajudar!
A solidariedade é dos povos!!!


[1]CEPEDA, Iván. Genocidio Político: el caso de la Unión Patriótica en Colombia. In: <http://www.desaparecidos.org/colombia/fmcepeda/genocidio-up/exterminio.html,  >, Acessado: 23 Mai. 2011.
[2]  VANEGAS, Luis Alberto. En Colombia son asesinados el 60% de los sindicalistas asesinados en el mundo. Bogotá. Colômbia: CUT, 2010.
[3]  Defensoría del pueblo denuncia y rechaza las amenzas en universidade.
[4]No informe da Fiscalia General de la Republica de janeiro de 2011. In: < http://www.fiscalia.gov.co/justiciapaz/Index.htm >, Acessado: 16 Jun. 2011. As cifra do informe do Instituto de Medicina Legal da Colômbia ainda são maiores, fala de 38.255 desaparecidos. In: <http://www.dailymotion.com/video/xd9scp_mas-de-38-mil-personas-desaparecida_news  >, Acessado 16 Jun. 2011.   
[5]  Oxfam y Casa de la Mujer “Violaciones y otras violencias: Saquen mi cuerpo de la guerra”. http://www.intermonoxfam.org/UnidadesInformacion/anexos/12033/101206_Primera_Encuesta_de_Prevalencia.pdf
[6]  SALINAS,  Yamile A. Dinámicas em el mercado de la tierra em Colombia. Bogotá, Colômbia: Documento elaborado para la Oficina Regional de la FAO para América Latina y el Caribe Home. 2011, p. 8.
[7]  SALINAS, 2011, p. 8.
[8]  La ciudad de las mujeres. Mujeres desplazadas em Colombia. In: < >, Acessado 15. Jun. 2011.                      
[9]Como o mostra em seu livro Yamile Salinas ao tomar os dados do Instituto Agustín Codazzí. SALINAS, 2011, p. 16.

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